quarta-feira, 8 de julho de 2015

MULTA DE DONO DE SÍTIO POR MAUS TRATOS AOS ANIMAIS FICA EM 340 MIL REAIS.

Cada vez mais fico enojada com a capacidade do dito "ser humano" em deixar de lado sua humanidade e cometer esses atos de atrocidades. A multa é valida? Sim, mas eu gostaria muito que ele fosse obrigado a trabalhar voluntariamente em um ONG por no mínimo 1 ano pelo menos 3 a 4 horas por dia, além claro, de ser preso. Ao invés de ficarmos depois tendo que sustentá-lo, que pelo menos ele faça serviços voluntários durante o dia e volte para a prisão para dormir.  Coisas como essa me deixam fora de mim. O que vocês acham disso? Será que mudaria a forma deles tratarem os animais? Será que eles não se apegariam a algum animal e nunca mais os maltrataria? Ou será que isso é uma forma de psicopatia e não tem jeito mesmo. Quem maltrata animal sempre vai maltratar? Deixa nos comentários sua opinião.

Em Araçatuba, interior do estado de São Paulo, dono de um sítio abandona em torno de 80 animais alegando que estava contratando caseiro.
Ele fechou a propriedade há cerca de 3 meses e deixou os animais presos lá. Um vizinho tentou alimentá-los, mas não deu conta.
(Foto: Reprodução/TV TEM)
A polícia Ambiental esteve lá nesta segunda-feira(06) para começar a recolher os animais. O proprietário foi multado em R$ 246 mil por maus tratos e abandono e mais R$ 100 mil pela vigilância sanitária por crime contra a saúde pública além de ser processado e poder ir para a cadeia. Ele não estava no local, mas já foi notificado e responderá pelo crime em liberdade, se condenado, será preso.
Após uma denúncia anônima, a Polícia Ambiental chegou ao local onde foram recolhidos quatro jabutis e levados para o hospital veterinário da Unesp. Eles chegaram com pneumonia e desnutrição. Um cão e um gato foram levados para o Centro de Zoonoses.
A polícia ainda deve recolher os pássaros que estão vivos, como calopsitas e periquitos. “Todos serão retirados do local ou então irão morrer por ali mesmo”, afirma o tenente da Polícia Ambiental, Rafael de Oliveira. A polícia não informou quantos dos 82 animais estavam mortos.

Dono de sítio é multado em R$ 246 mil por maus-tratos a animais (Foto: Reprodução/TV TEM)
Chácara estava em situação de abandono
(Foto: Reprodução/TV TEM)
O caseiro Francisco Gonçalves trabalha em uma chácara vizinha e conta que alimentava os animais quando podia. “Ele pediu para eu ir tratando dos animais, mas isso foi há três meses. A ração não era suficiente e a ração do peixe era usada para tratar dos gatos, cachorros, jabutis”, diz o caseiro.





No local também foi possível encontrar vários pontos de criadouros da dengue, a Vigilância Sanitária vai passar veneno contra a dengue na chácara.

Dono de sítio é multado em R$ 246 mil por maus-tratos a animais (Foto: Reprodução/TV TEM)
Vários criadouros de dengue foram encontrados no imóvel (Foto: Reprodução/TV TEM)

Pássaros que sobreviveram serão retirados pela polícia (Foto: Reprodução / TV TEM)
Pássaros que sobreviveram serão retirados pela polícia (Foto: Reprodução / TV TEM)


Fonte: G1,


segunda-feira, 6 de julho de 2015

PORQUE NEM TODOS QUE ADOTAM SÃO BOAS PESSOAS?


Quando adotamos um ser de 4 patas, temos a obrigação de cuidar e zelar pela saúde deles, hoje tenho 6 cadelas e 19 gatos. Gostaria de poder ter mais, mas não posso porque não recebo a ajuda de ninguém além do meu marido, esse ser maravilhoso que Deus colocou na minha vida que sempre me ajuda e me apoia, e também é a minha consciência, porque muitas pessoas cometem o erro de “acumular animais” e não conseguir dar uma vida boa para eles. Pensam que por tira-los das ruas estão fazendo o bem, mas não estão, se não podem cuidar de todos, é melhor acionar uma ONG, ou algum protetor que tenha mais formas de cuidar e depois conseguir doá-los.
Tenho 3 filhotes para adoção, mas até agora só fui procurada por macumbeiros por 2 serem pretas. Por favor pessoal, sejam responsáveis ao doá-los também, eu só deixo levarem se eu souber que serão cuidados e sempre peço fotos para saber se estão bem, hoje com o facebook fica mais fácil, sempre sigo as pessoas e mantenho-me informada, quando não vejo fotos deles, peço para saber o que aconteceu.

DSC09285Fiquei triste ao saber que a Duda (uma das gatinhas que doei) desapareceu, a Duda era muito bem cuidada, uma filha para a Mury que acabou se tornando uma amiga e que está muito triste com o desaparecimento dela.






A mãe desses filhotes que estão para doar era perita em fugir do gatil, eu marquei a castração dela várias vezes e parece que ela adivinhava! Fugiu e voltou 15 dias depois, prenha! Isso aconteceu 2 vezes, na terceira vez que ela fugiu, acho que foi para descansar um pouco do filhotes que ela foi morta. Eu levantava a cada 2 horas para dar a chuquinha com a receita que o Sr. Benny (https://www.facebook.com/abcg.tutucao?fref=ts) me passou para que eles crescessem fortes e bonitos, essa é a receita:
1 copo de leite
2 colheres sopa de creme de leite
1 gema de ovo cozinha( só a gema, a clara faz mal à eles)
2 colheres de sopa de farinha láctea sem açúcar.
Bate tudo no liquidificador, e coloca num vidro na geladeira. Quando for dar para os filhotes, esquentar da mesma forma que se faz com a mamadeira de um bebê, verifica se não está muito quente, mas só esquenta a quantidade que for dar. Essa mistura pode ficar 2 dias na geladeira.







Quando pessoas começam a retirar animais das ruas sem terem condições de cuidar e criar, ai torna-se um problema, pois muitas vezes eles não tem uma vida feliz. O acúmulo de animais é uma doença, e tem que ser tratada. 
IMG_20140307_165802Muitas vezes por traumas de infância como o abandono pode numa idade mais avançada, desencadear a necessidade de viver rodeada de animais, muitas vezes me sinto nessa posição, pela separação de meus pais quando eu era criança (aos meus 8 anos quando resgatei minha primeira gata a Shena), mas eu não estive sempre rodeada de animais, quando morei em Curitiba, adotei uma gatinha que na verdade era da minha vizinha, mas ela tinha a mania de me achar muito magra e me levar ratinhos na cama pela manhã, rsrsrs.



IMG_20140307_165750IMG_20131019_171652Hoje, sei que preciso doar alguns, afinal estou com toxoplasmose no olho e não posso mais cuidar deles com tanto cuidado quanto antes e pago minha sobrinha para cuidar deles e minha tia para dar banhos, o veterinários vem uma vez por mês para examinar e vacinar os que estão vencendo suas vacinas, mas nem todos os dias consigo tira-los para tomar sol, meu gatil não foi terminado e preciso prender uns para poder soltar outros, não sei o porque, mas aqui não é como em outros lugares onde ficam 10, 20, 60, 100 cachorros juntos que não brigam.

DSC09458Aqui é o contrário, a Kim tem um ódio mortal da Pitoca, que odeia a Laika, que não suporta a Maggie que odeia a Mel que ama todo mundo, e tem a Laika Loka (apelido dado a ela por tomar gardenal), essa não é minha, eu cuido dela porque ela comeu o rabo e a veterinária disse que era preciso sacrificar, pois a mesma não duraria nem 10 dias por que essa doença dela atacou os nervos e o cérebro, eu pedi que não a sacrificassem e chamei o veterinário que cuida dos meus filhotes para uma segunda avaliação, ela está comigo a 5 anos, quase 6, hoje quem cuida dela é meu marido, pois quando engravidei ela ficou com ciúmes de mim e com raiva, não me aceita mais. Quem dá banho é no Território Animal, o veterinário dela é o Anderson, e quem lava o canil, troca a água e a ração é o meu marido. Queria poder pagar uma pessoa para treina-la, acho que melhoraria muito a vida dela e quem sabe ela até voltasse a me aceitar e eu podeira passear com ela, claro, depois de dar o gardenal dela numa deliciosa salsicha(deliciosa para ela).

DSC00329Quando precisamos doar nossos filhotes, o correto é avaliar a pessoa para quem vamos entregar uma vida tão preciosa. Eu tenho um formulário de adoção, e se não preencherem todos os requisitos, prefiro ficar com eles do que dóá-los para alguém que não vá cuidar. Raras as vezes não precisam preencher, mas isso quando se trata de pessoas que já conheço como a Mury e a Rosângela que adotaram e sempre trataram bem.
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Sejamos conscientes com as formas que cuidamos desses seres indefesos. São poucas as pessoas que se importam com eles, então por favor, sejam atenciosos aos detalhes da adoção, pois você também será responsável pelo mal que puder acontecer com eles.
IMG_20131023_231420Venda de animais? Eu não compro nunca! Existem tantas criaturas sem pedigree que podem amar como qualquer outro com pedigree. Na verdade, pedigree é uma forma arrogante de se exibir com vidas que são tão preciosas.
Até hoje, meus vira-latas, pitt-viras, chiwawa, e gatinhos SRD, ou siamêses, snow shoes, Angorás foram cada um tão importante quanto ao outro.

Lauri Sandra

Quando perdemos um amigo ou filho de 4 patas!


Mel 1Ontem um amigo perdeu uma amiga e me contou como a conheceu e o porque de te-la adotado, o que me fez pensar sobre o quando estou afastada do blog, sendo que existem tantas coisas para dividirmos com quem os amam, e também com aqueles que os maltratam na esperança que mudem suas atitutes e os vejam como nós os vemos: AMIGOS OU FILHOS DE 4 PATAS.
Muitas vezes os recolhemos das ruas, ou nos apaixonamos por aqueles filhotinhos que vemos na casa de amigos ou parentes. Uma pequena parcela da humanidade, trata e cuida como se fosse um membro da família, outros os acham bonitinhos enquanto filhotes, depois acham que são estorvos, pois eles muitas vezes não nos permitem viajar tanto quanto queremos. Eu já deixei de ir para Curitiba uma vez porque ´perto da hora de pegar o ônibus, tive uma sensação ruim, eu sabia que tinha que ir em casa antes de viajar, chamei um moto taxi e corri para casa, e se eu não tivesse seguido meu coração, quando voltasse da viajem nunca mais eu me perdoaria. Quando cheguei em casa, minha fox paulistinha Laika, estava caída próximo ao portão com um corte no pescoço que a fez ganhar 8 pontos. Eu no primeiro momento liguei para o veterinário, depois enrolei minha blusa no pescoço dela para conter o sangramento então chamei um taxi e corri para a clínica. Porque? Era só o que eu pensava. Depois o Quem? E a raiva tomou conta do meu coração, mas a mionha aflição era maior, o medo de perde-la tomou conta de mim, eu ficava imaginando mil formas de torturar o filho da mãe que fez aquilo com ela. Quando o veterinário voltou, eu já estava com a cara inchada de tanto chorar, mas a notícia era boa, ela vai sobreviver! E se eu tivesse viajado? Eu tinha combinado com minha irmã dela ir em casa no dia seguinte, pois eu já tinha limpado tudo, colocado bastante água e comida, quando ela chegasse lá teria sido muito tarde. Graças ao meu bom Deus eu tenho essa ligação com meus filhos de 4 patas, eu sempre sinto quando algo vai acontecer ou aconteceu.
LilicaA maior tristeza que temos é quando chegamos tarde. Há quase 4 meses, eu achei que fazia 2 pela dor ser tão recente, mas me lembrei que foi no dia 7/03, dia do aniversário da minha mãe, eu estava indo buscar o bolo da minha mãe quando na esquina da minha casa, vi um vulto pretinho, as tetinhas ainda estavam molhadas, na hora reconheci minha gatinha Tika, ela havia sido atropelada por um inconsequente que não teve nem a capacidade de tira-la do meio da rua. Eu parei o carro gritando e meu marido ao meu lado sem entender, eu chorava e gritava sem saber o que fazer, ela já estava geladinha, tinha chovido, então ela estava molhada também, eu voltava para o carro e voltava para o lado dela sem saber o que fazer, eu tinha que buscar o bolo da minha mãe. Eu a peguei com muito sacrifício a deixei na calçada e fui chorando até o Coração Melado que quase fechou, mas quando voltei, meu marido entrou com o bolo e eu sai correndo para a esquina da minha casa para pegar minha filhinha de 4 patas que também era mãe… mãe!!! meu Deus!!! O que vou fazer com os filhotes? Como vou amamentá-los? Como vou criá-los??? Como, como, como, isso ficou martelando minha cabeça. A peguei, coloquei numa caixinha, enrolei ela num saco preto e a trouxe para casa, chorando muito, contei para minha mãe que também chorou, e me perguntou a mesma coisa: Como você vai cuidar dos filhotes?

DSC08076As pessoas não pensam quando fazem uma maldade com um ser indefeso, que esse ser possui pessoas que os amam e que irão sofrer.
Hoje eles estão bem e bonitos, todos sobreviveram com a ajuda de um ser iluminado que já resgatou muitos bebezinhos e me orientou, e do irmão mais velho deles que os adotou e dormia junto com eles para esquenta-los.

A Laika sobreviveu, mas o infeliz que a machucou com um bambu, ele também sobreviveu, mas apanhou, ele teve a infelicidade de passar bebado no meu portão e mexer com ela enquanto eu estava lavando o quintal e confessou o crime, dizendo que da próxima vez ela não sobreviveria. ela latia mostrando os dentes, mas quando ele me viu, tentou correr e caiu no chão! Com a mangueira eu surrei ele, de um jeito que provavelmente a mãe ou o pai nunca haviam feito, e a esposa dele quando me viu batendo nele, correu em nossa direção e quando ele se levantou, ela o segurou para que eu batesse mais nele! 
O porque? Eu havia socorrido o cachorro dele que ele tinha dado uma paulada e tirado os bichos da ferida do cachorro e tratado, chamei o veterinário que aplicou injeções de antibióticos e anti-inflamatórios no cachorro dele, que semanas depois me socorreu de uma tentativa de assalto no meu portão. Os animais são mais humanos e agradecidos que os humanos que são piores que animais, aliás, essa é uma comparação que nunca gostei, chamar uma pessoa ruim de animal, acho que verme é mais apropriado.
A Polly foi bem cuidada, muito amada pelo meu amigo Wagner, mas é claro que fica a tristeza e a saudade.
Ringo2O Ringo não era meu, mas eu tinha uma ligação de amor com ele tão forte que quando ele teve seu primeiro AVC, eu senti, a tristeza que tomou conta de mim foi tão grande, mas eu tinha a Cecília e não pude ir visitá-lo. Quando ele teve o segundo AVC, eu senti uma amargura tão grande que eu não sabia o que era. No dia que fui visitá-lo, ele se arrastou até mim, e eu disse que ele não precisava ficar mais sofrendo, que se ele quisesse partir, ele podia ir, eu o abracei, beijei muito e chorei, e ele também chorou, e quando fui embora, eu escutava os uivos dele e fui embora chorando, mas fui liberá-lo, eu sabia que ele precisava me ver antes de ir embora, e foi o que aconteceu, dias depois ele deixou esse corpo que não lhe servia mais e o estava fazendo sofrer, e então foi para um outro corpo. 
[000202]No dia que ele morreu, nasceu meu gato Moleque, e eu senti o Ringo nele, não sei se é ele ou não, mas o fato é que meu gato corre atrás dos carros miando e assim que ele foi castrado, o coloquei no gatil junto com as fêmeas (tenho algumas que ainda não foram castradas), mas o fato de vê-lo correndo atrás dos carros como um cachorro me fez pensar se não era esse molecão que veio como gato para continuar me fazendo feliz!

Eu, de tanto perder filhotes em todos esses anos que cuido deles (Meu primeiro resgate foi aos 8 anos de idade), aprendi a chorar, sofrer e ficar com aquela saudade e a lembrança dos momentos felizes que tive e proporcionei. Lembro de cada nome: Letícia, Pepito 1º, Shena, Rex, Dampy 1ª, Pepito 2º, Lassie, Lilica, Mel, Sany 1ª, Dampy2ª, Garota(essa era da rua, não era minha, mas veio me pedir socorro de madrugada e teve as filhotes no meu banheiro, é a mãe da Tika, Teka, Tuka e Tami, também morreu atropelada na mesma esquina que a filha) Tika, Sany2ª, Nick 1º, Nikiquinho(filho do Nick com a minha Cisy, nasceu com síndrome de down)… entre outros tantos.
Lí um livro, “ Os animais tem alma” onde aprendi que os animais são uma essência divina e que essa essência renasce assim que esse morre, outros voltam para as colônias para resgatar almas que não aceitam a morte e somente aquela essência pode faze-los querer evoluir. Claro que muitos que lerem isso vão achar um absurdo, mas seja ou não verdade, não sou eu quem vai afirmar, prefiro acreditar nisso, do que acreditar que um ser que me fez tão feliz irá virar pó e não ira nascer de novo como a Bíblia nos afirma.
A tristeza faz parte também de nossa evolução, eles vem nos fazer felizes e nos ensinar que as perdas são necessárias.
Lauri Sandra

Sentença histórica condena matadora de animais a 12 anos de prisão no Brasil

Existem histórias que devem ser divulgadas e essa matéria da Anda foi tão bem explicada que decidi compartilhar. A Anda para quem não conhece é Agência de Notícias de Direitos Animais. A matéria na integra esta lá alem das outras matérias abaixo. http://www.anda.jor.br/


Essa é sobre a Dalva, a assassina de animais. A Fátima Chuecco escreveu tudo  de um jeito, que achei melhor divulgar aqui do que escrever com minhas próprias palavras, que garanto não seriam palavras agradáveis a essa Dalva. Pelo menos, dessa vez a justiça foi feita.


Por Fátima Chuecco (da Redação)

A ANDA recebeu em primeira mão uma decisão inédita no país. Dalva Lina da Silva, que ficou conhecida como “a matadora de animais” por ter assassinado 37 animais entre cães e gatos de forma dolorosa e lenta em SP dois anos atrás, recebeu na data de 18 de junho a pena de 12 anos, seis meses e 14 dias de prisão, além de uma multa referente a cada um dos animais mortos.
Na sentença proferida pela juíza Patrícia Álvarez Cruz afirma que a ré recebia os animais em sua casa já determinada a matá-los porque sabia que não teria condições de encaminhá-los à doação. “A ré tem todas as características de uma assassina em série, com uma diferença: as suas vítimas são animais domésticos. De resto, os crimes foram praticados seguindo o mesmo ritual, com uma determinada assinatura, com traços peculiares e comuns entre si, contra diversos animais com qualidades semelhantes e em ocasiões distintas. E o que é bastante revelador: não há motivo objetivo para os crimes. O assassino em série, como o próprio nome diz, é um matador habitual”, afirma.
A sentença proferida em 87 páginas cita, inclusive, a senciência dos animais. A juíza afirma ainda que diante das evidências “não é demasiado afirmar que centenas de animais foram mortos pela acusada”. Um mandado de prisão preventiva contra Dalva já foi expedido e ela pode ser presa a qualquer momento. Veja trecho da sentença abaixo:
“18/06/2015 Sentença Registrada 18/06/2015 Condenação à Pena Privativa de Liberdade e Multa COM Decretação da Prisão Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a ação, para: I. Condenar DALVA LINA DA SILVA, portadora do R.G./I.I.R.G.D. nº 20.735.577, filha de José Firmino da Silva e Dalvina Gonçalves Leite, à pena de doze anos, seis meses e quatorze dias de detenção, e ao pagamento de quatrocentos e quarenta e quatro dias-multa, cada um destes fixado em 1/10 do valor do salário mínimo vigente à época dos fatos, a ser atualizado em execução, como incursa, por trinta e sete vezes, nas penas cominadas no artigo 32, §2º, da Lei 9.605/98, na forma do artigo 69 do Código Penal; II. Absolver a mesma ré das imputações que lhe são formuladas no aditamento da denúncia, nos termos do artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal.11/06/2015 Conclusos para Sentença 27/05/2015”
Estima-se que milhares de gatos tenham sido mortos pela Dalva. (Foto: Reprodução/ Folha)
Estima-se que milhares de gatos tenham sido mortos pela Dalva. (Foto: Reprodução/ Folha)
Diante de tantas atrocidades cometidas contra os animais no Brasil sem qualquer punição aos criminosos, a sentença de Dalva é uma grande vitória que faz história no judiciário brasileiro e na causa dos direitos animais. Dalva foi processada pelo Ministério Público pelo crime previsto no artigo 32, parágrafo 2º, da Lei Federal de Crimes Ambientais – 9605/98, por maus-tratos seguido de morte dos animais, mas na última audiência, ocorrida em 20 de maio, acrescentou-se mais uma acusação, a de uso de substância proibida – crime previsto no artigo 56 da mesma lei e cuja pena mínima é de um ano de detenção. Isso porque ela usou quetamina, um produto anestésico que só pode ser administrado por veterinários.
Mortos com alto grau de crueldade
De acordo com o perito que necropsiou os corpos dos 37 animais, eles foram assassinados de uma maneira extremamente cruel, o que provocou grande sofrimento e extrema dor em cada um deles por até 30 minutos. Dalva injetava a droga no peito dos animais por meio de várias agulhadas numa tentativa insana de tentar atingir o coração deles. Todos foram encontrados com várias perfurações no peito e morreram, por conta disso, de hemorragia interna. Uma cachorrinha entregue nas mãos de Dalva poucas horas antes de ser morta foi o caso mais chocante: tinha 18 perfurações.
Foto feita por detetive contratado por ativistas: cadela com gravatinha sendo entregue para Dalva e a mesma cadela morta encontrada no lixo no dia seguinte (Foto: Edson Criado)
Foto feita por detetive contratado por ativistas: cadela com gravatinha sendo entregue para Dalva e a mesma cadela morta encontrada no lixo no dia seguinte (Foto: Edson Criado)
Vânia Tuglio, promotora de Justiça do Ministério Público/GECAP – Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento do Solo Urbano, e colunista da ANDA, que esteve à frente do caso, conta que a quetamina, ao ser administrada de forma errada por uma leiga e em animais de pequeno porte, causou efeito contrário ao invés de anestesiar: “O perito que examinou os corpos disse que os animais tiveram taquicardia e ficaram agitados. Eles sentiram agonia e dor por cerca de 20 a 30 minutos até morrerem”. Assim, a droga injetada potencializou o sofrimento dos animais. “Essa sentença é histórica porque faz justiça ao assassinato de 37 cães e gatos. Ao expedir o mandado de prisão preventiva, a juíza não apenas cumpre a lei, mas resguarda a sociedade de uma pessoa extremamente perigosa”, comenta a promotora.
Os animais sabiam que estavam sendo mortos
Em frente à casa de Dalva ativistas deixaram homenagem aos animais assassinados
Em frente à casa de Dalva ativistas deixaram homenagem aos animais assassinados
Presente na última audiência, o perito Paulo Cesar Mayorca, professor do departamento de patologia da faculdade de medicina veterinária da USP, fez pelo menos duas declarações estarrecedoras. Disse que para matar os animais daquela forma sozinha, Dalva teria que amarrá-los em provável posição de crucificação, com pernas juntas e braços abertos.
E, além disso, eles sabiam que estavam morrendo. A juíza do caso, segundo a promotora Vânia, se interessou por esse aspecto do julgamento e quis saber mais: “Ela perguntou se os animais tinham consciência que estavam sendo mortos e o perito respondeu que sim, que o tempo todo eles estiveram conscientes do que estava acontecendo”.
Mayorca constatou também que nenhum dos animais apresentava doença terminal ou lesão que comprometesse a saúde deles. Eram saudáveis e alguns, inclusive, castrados e prontos para adoção. O laudo cadavérico, portanto, desmentiu a alegação de Dalva que dizia ter matado apenas seis dos 37 animais por estarem em “estado terminal”.
Dalva disse que adquiria a droga de um veterinário amigo da família que já morreu. Também alegou que todas as centenas de animais que recebeu ao longo de anos foram doados, mas ela não fez nenhum registro das adoções e não se lembra para quem doou. Os seis gatos encontrados vivos em sua casa na noite do flagrante foram entregues à ONG Adote um Gatinho que teve autorização judicial para doá-los.
Atitude suspeita
O comportamento de Dalva causava estranheza entre alguns moradores da rua. Segundo relato de uma vizinha, que preferiu não se identificar, ela descartava entre 6 e 7 sacos de 100 litros, três vezes por semana (às terças, quintas e sábados), exatamente na hora em que o caminhão de lixo passava. “Era muito lixo para uma casa só”, disse ela.
“Uma casa com três pessoas adultas e uma criança descartar cerca de 2 mil litros de lixo por semana é algo inconcebível. Isto só comprova a prática cruel que ela vinha exercendo todos esses anos”, afirma a ativista Marli Delucca.
“Sabendo que ela recebia centenas de gatos e cães por mês e com base nessas informações, estimamos que cerca de 30 mil animais possam ter sido mortos pelas mãos de Dalva nos últimos oito anos”, contabiliza Marli Delucca. “A Dalva recebia animais para encaminhar para adoção há cerca de 8, 10 anos. É só fazer as contas”, reforça a protetora Raquel Rignani.
Suspeita-se ainda que ela descartasse mais corpos de animais por caçambas espalhadas pela cidade.
Assassinos cruéis
Dalva: condenada por matar 37 animais (Foto: Reprodução)
Dalva: condenada por matar 37 animais (Foto: Reprodução)
Indignada com um caso tão bárbaro, a promotora pediu à juíza que Dalva fosse condenada pela morte de todos os 37 animais somando-se as penas de cada um – como se faz no caso de assassinato de várias pessoas por um mesmo criminoso. Ela lamenta que as leis brasileiras ainda não permitam punições condizentes com a gravidade dos crimes praticados contra animais, mas está confiante que o cenário deve mudar a partir da condenação de Dalva. Em muitos países crueldade animal leva os criminosos para a cadeia e sem que sejam necessários longos processos.
Além disso, em alguns países se entende que deter pessoas que torturam e matam animais é uma maneira eficaz de proteger também a população humana já que esses indivíduos são naturalmente violentos e, muitas vezes, psicopatas. À propósito, estudos feitos pelo FBI apontam que uma esmagadora parcela de psicopatas começa sua trajetória torturando e matando animais, às vezes na adolescência ou até mesmo na infância. Por isso, a partir do próximo ano, quem maltratar e matar animais nos EUA terá um julgamento igual ao de qualquer outro criminoso.
Pesquisa que consta do livro “Maus tratos aos animais e violência contra as pessoas”, de Marcelo Robis Nassaro, capitão do Comando de Policiamento Ambiental de SP, chegou à mesma conclusão do FBI. Indivíduos autuados por maus-tratos em SP, em geral, já tinham outras acusações criminais, especialmente de lesão corporal contra pessoas. Em todo o Brasil chovem denúncias de atrocidades cometidas contra animais e a população se sente cada vez mais impotente. Juntam-se provas, a comunidade se une, protesta, exige justiça, mas as leis brasileiras ainda não enxergam que quem maltrata e mata animais é um criminoso em potencial, capaz de matar também pessoas.
Quem ajudou Dalva a cometer os crimes?
Fica aqui um alerta para quem “doa” animais. É preciso acompanhar as adoções. Ter endereço e telefone dessas pessoas, pedir fotos recentes e até fazer visitas esporádicas. De que adianta resgatar, gastar com medicamentos, veterinários, cirurgias, castrações e, por fim, jogar o animal nas mãos de uma assassina? Dalva conseguiu matar muitos animais graças a irresponsabilidade de muitas pessoas que apenas descartaram os animais nas mãos dela e nunca mais quiseram saber dos bichos. Embora ela própria pegasse animais nas ruas, também recebeu dezenas de animais, principalmente gatos, cujo paradeiro ela não quis informar. Inclusive, entre os 37 animais mortos descobertos pelo detetive do caso, a maioria era filhotes de gatos.
O inferno é aqui
Alguns dos casos mais sórdidos aconteceram recentemente no Amazonas, onde um cão atropelado e com duas patas quebradas ainda foi jogado vivo dentro da prensa de um caminhão de lixo e, na Bahia, onde uma gatinha filhote teve três patas arrancadas a sangue frio e foi largada numa rua ainda viva com um caroço de manga da boca. São matérias de grande repercussão e que foram parar no Ministério Público. Veja abaixo:
Uma série publicada com exclusividade na ANDA levantou casos de psicopatas dentro e fora do Brasil para mostrar o quanto é comum serial killers iniciarem sua trajetória de crimes torturando e matando animais. Em cinco capítulos divididos por tipo de crime, a série procurou expor de forma contundente o quanto é necessário localizar e deter pessoas que praticam crueldade animal. Basta dizer que 80 mil crianças somem no Brasil todos os anos sem deixar vestígio e podem estar caindo nas mãos desses assassinos que têm preferência por vítimas que demonstram pouca resistência física. Inclusive, o primeiro capítulo da série abordou justamente o Caso Dalva entre outros. Veja em:

Fonte: http://www.anda.jor.br/18/06/2015/sentenca-historica-condena-matadora-animais-12-anos-prisao-brasil